'Es preciso imaginar la red de micorrizas que se encuentra bajo tierra'. A caça de trufas negras (Tuber melanosporum) no Chile ou: como acessar um mundo que nos é inacessível?
Luisa Amador Fanaro (2025)
'Es preciso imaginar la red de micorrizas que se encuentra bajo tierra'. A caça de trufas negras (Tuber melanosporum) no Chile ou: como acessar um mundo que nos é inacessível?
Luisa Amador Fanaro (2025)
Esta tese é fruto de pesquisa de campo cujo objetivo foi a investigação das relações entre humanos e outros-que-humanos no cultivo de trufas negras (Tuber melanosporum) no Chile. Ali, a truficultura remonta ao início dos anos 2000, quando técnicas, conhecimentos e o próprio fungo foram importados da Espanha com o intuito de implantar as primeiras plantações trufeiras na América do Sul. Hoje em dia, seja nos bosques europeus ou em pomares cultivados mundo afora, a caça de trufas é uma faina desempenhada por cães e humanos que depende da co-constituição, entre eles, de uma relação de cooperação. Adotando uma perspectiva material-semiótica, a etnografia se concentrou nos distintos encontros entre cães, humanos e trufas, desde a preparação dos animais até a caça, ou colheita, do diamante negro da gastronomia. Argumento que a caça de trufas, naquele contexto, deve ser analisada através do ponto de vista do trabalho humano-animal, ou trabalho com animais, e que seu sucesso deriva de que humanos e cães operem, sempre, dentro de um regime laboral. Sugiro, também, que é através do cão que aquilo que está oculto, escondido no subsolo, pode ser revelado – são os animais que, afinal, permitem que acessemos um mundo que nos é inacessível –, e que essa prática pode nos servir para repensar e ampliar o próprio conceito de caça e do que é ou pode ser o ato de caçar.
Tese de doutorado orientada pelo Prof. Dr. Felipe Vander Velden (UFSCar).