O cachorro doméstico (Canis lupus familiaris) na imagética indígena
Felipe Vander Velden (PPGAS/UFSCar)
O cachorro doméstico (Canis lupus familiaris) na imagética indígena
Felipe Vander Velden (PPGAS/UFSCar)
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Como se sabe, embora sejam legião em virtualmente todas as aldeias indígenas nas terras baixas sul-americanas, o cachorro doméstico (Canis lupus familiaris) só muito raramente aparece figurado (materializado ou presentificado) nas artes e artefatos desses povos, incluindo a escultura – e isso mesmo entre grupos com notável produção escultórica em cerâmica, madeira, fibras, pedra e outras matérias-primas (Lima, 1987). Em mais de vinte anos de pesquisa sobre o tema dos animais introduzidos com a invasão europeia nas Américas, tenho notícias de apenas 14 ou 15 casos da existência de esculturas caninas de manufatura ou autoria indígena, elencadas e rapidamente discutidas a seguir. É óbvio que esta lista não é definitiva, porque não tenho a pretensão de conhecer tudo o que já foi esculpido por mãos indígenas. Rogo, assim, às leitoras e aos leitores desse texto que me informem, se possível, do que mais encontrarem nas suas próprias pesquisas ou mesmo ao visitarem museus e coleções, de modo que aumentemos o nosso corpus e que a hipótese aqui ofertada venha a ser confirmada, refutada ou ao menos ajustada.
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Comecemos por Vera Penteado Coelho (1995, p. 270), que encontrou esculturas cerâmicas de cães entre os Wauja (língua Arawak), os grandes ceramistas no Alto Xingu, ainda que os indígenas tenham dito à pesquisadora, anos antes, que não faziam vasilhas com “representações” desses animais porque eles eram feios – seres cuja materialização na forma de objetos seria inconveniente ou proibida –, e aquilo que não é considerado belo não é usualmente representado (Coelho, 1981, p. 70-71; Lima, 1987, p. 211). Aristóteles Barcelos Neto (2005-2006, p. 303) também estudou as panelas zoomorfas Wauja representando número extenso de animais, incluindo alguns conhecidos após o contato com os não indígenas, como cachorros, mas a modelagem desses seres “estrangeiros” seria pouco frequente, com números diminutos diante das peças que trazem grande número de espécies (47 documentadas pelo antropólogo) da rica fauna nativa dos ecossistemas xinguanos. Os textos de ambos os autores, lamentavelmente, não fornecem fotografias ou desenhos dessas peças caninas alto-xinguanas.
A seguir, dispomos das cerâmicas da Xakriabá Dalzira Leite (Dalzira Xakriabá) que, segundo seu filho, Nei Leite Xakriabá – ele mesmo um excepcional e premiado ceramista, conhecido internacionalmente, sobretudo por suas lindos bichos-moringa (Xakriabá & Barros, 2024) –, é uma das poucas artistas deste povo indígena em Minas Gerais a confeccionar peças caninas, ainda que cachorros (junto de bois, cavalos, coelhos, pássaros, plantas e figuras humanas) sejam mencionados entre os “desenhos de barro” feitos pelos Xakriabá (Leite, 2017, p. 38). Os Xakriabá falam uma língua Jê central, hoje em processo de retomada linguística.
Figuras 1, 2 e 3: esculturas de cães em cerâmica, Dalzira Xakriabá (fotografias gentilmente cedidas por Nei Leite Xakriabá, e reproduzidas com permissão, 2023).
Temos também uma figura identificada como cachorro – mas que pode se tratar de um cachorro-do-mato nativo, o que não é possibilidade a ser descartada, ainda que figurações desses seres sejam aparentemente ainda mais raras do que as de cães domesticados –, feita em madeira leve e maleável de caixeta (Tabebuia cassinoides, ou kurupika’y em Guarani) pirografada – um tradicional “bichinho” (Faraco, 2019), esculturas “enfeitadas” ou “grafadas” de animais (Pissolato, 2012, p. 81) – e produzida pelos Mbyá-Guarani (família Tupi-Guarani). Esta simpática peça eu mesmo adquiri em uma loja de artes indígenas durante viagem à Paraty, cidade histórica localizada no sul do estado do Rio de Janeiro, em 2007, onde os Mbya das aldeias próximas frequentemente comercializam seu artesanato (Pissolato, 2007, p. 65-66). Devo confessar que a identificação deste “bichinho” como um cachorro foi coletada da etiqueta fornecida pelo comerciante, não sendo possível saber, destarte, se se trata de informação proveniente dos Mbya ou uma dedução do próprio lojista.
Figura 4: Assim identificado “cachorro” Guarani-Mbya, Paraty-RJ, coleção particular do autor (foto do autor, 2023).
Disponho, em quarto lugar, da escultura de um adorável cão produzida pelas artistas Ejiwajegi-Kadiwéu (cuja língua pertence à família Guaykuru) da aldeia Alves de Barros, em Mato Grosso do Sul, e que se insere numa rica tradição ceramista cujo singular e reconhecidamente belo estilo de decoração (celebraado, por exemplo, por ninguém menos que Claude Lévi-Strauss) é muito característica deste povo indígena de língua Guaykuru no extremo leste do Chaco (Alves & Rodrigues, 2021). Embora produzindo majoritariamente peças utilitárias, os Kadiwéu começaram a produzir esculturas que combinam, de certa forma, o naturalismo das representações figurativas de origem masculina (como nas esculturas em madeira) e o geometrismo formal e abstrato da arte feminina da decoração (Ribeiro, 2019, p. 216). Esta mudança, iniciada na década de 1970, esteve ligada ao desenvolvimento do turismo no estado sul-mato-grossense e o consequente aumento da procura por artes indígenas, agora convertidas em mercadorias (Alves, 2020; Alves & Rodrigues, 2021).
Figura 5: cachorro Kadiwéu, Mato Grosso do Sul, coleção de Marcus Antonio Ruiz, foto de Marcus Antonio Ruiz, reproduzida com permissão (2025).
Os Kadiwéu modelam cerâmicas policrômicas nas formas de variadas espécies de animais selvagens nativos e domesticados (exóticos ou introduzidos) – “capivaras, porcos, jacarés, tartarugas, cachorros, bois, macacos, cobras, peixes e aves” (Alves & Rodrigues, 2021, p. 105-106, meu grifo) –, lindas peças como as que ilustram um recente catálogo da cerâmica indígena contemporânea em Mato Grosso do Sul (Alves, 2021). Entre elas esse adorável cãozinho deitado, de autoria da artista Leonice da Silva (Lica), da mesma Aldeia Alves de Barros, em Porto Murtinho (MS), e presente na coleção do Instituto Cultural Gilberto Luiz Alves, na capital sul-mato-grossense (Alves, 2021, p. 72).
Figura 6: representação de cachorro deitado. Cerâmica Kadiwéu, extraída de Alves (2021, p. 72)
Para o norte-amazônico, Protásio Frikel (1973, p. 207) menciona que os Tiriyó (grupo de língua Karib na fronteira entre o Brasil e o Suriname) fabricavam, como “brinquedos de crianças”, figuras de cães “bastante primitivas” e “grosseiras” (os termos, óbvio, são do autor) em cera de abelha ou barro, uma dessas últimas reproduzida em seu livro.
Figura 7: “Brinquedo de crianças. Figurinha de barro cozido, representando um cachorro, kaikwí” (reproduzido de Frikel, 1973, p. 273).
Ainda na mesma região etnográfica, encontrei uma extraordinária coleção de esculturas de cães/onças em madeira produzidas pelos Kaxuyana, outro povo indígena de língua Karib na região do rio Cachorro (Kaxuru), um afluente do rio Trombetas, no norte do estado do Pará. Trata-se de um conjunto de sete pequenas figuras, coletadas, segundo o livro de tombo da coleção etnográfica do Museu Goeldi, por Frikel e a linguista Ruth Wallace de Paula no rio Paru de Oeste em 1969 (Arnaud, 1981, p. 140). Uma das peças é assim descrita pelo inventário da instituição paraense:
Estatueta zoomorfa, de madeira, representando um cachorro, com pintura vermelha e desenhos geométricos e ponteados em preto. Usada para atrair caça.
Índios Kaxuyana
Rio Cachorro, afluente do Trombetas
Coletores: Wallace & Frikel, 1969
É esta peça que aparece no monumental Dicionário do Artesanato Indígena de Berta Ribeiro (1988, p. 301) na categoria de “objetos rituais, mágicos e lúdicos”. Classificada como “Escultura magia-de-caça Kaxuyâna”, é assim definida:
Def. Entre os Kaxuyâna registra-se a talha em madeira de esculturas de bichos (cachorro, anta), devidamente pintadas para caracterizar o animal representado, destinadas a atrair a caça. T. Gen. Utensílios mágico-lúdicos (09).
Figura 8: Escultura magia-de-caça Kaxuyana, um cachorro, conforme reproduzida no livro de Berta Ribeiro (1988, p. 301).
Estas peças parecem diferir das anteriormente elencadas aqui, porque são confeccionadas para fazer coisas – “atrair caça” por meio de “magia” – e não apenas para decoração ou contemplação puramente estética ou para simples emprego lúdico. Esta caracterização sugere outras dimensões da produção material ou escultórica de cães nas terras baixas, mas não tenho a intenção de analisá-las neste curto texto. Notemos, outrossim, que a semelhança de algumas dessas esculturas com onças chama a atenção.
Figura 9: coleção de sete figuras de cães Kaxuyana em madeira. Coleção Frikel e Wallace, 1969. Coleção Etnográfica – MCTI/Museu Paraense Emílio Goeldi (de baixo para cima, itens 7241, 7242, 7243, 7244, 7245, 7246 e 7247, livro 5). Foto do autor (2023), reproduzido com permissão.
Avançando, e baseando-me, agora, no levantamento realizado por Alicia Muñoz (2025) no acervo do Museu Nacional dos Povos Indígenas, no Rio de Janeiro, dispomos de quatro peças Karajá (Iny͂), falantes de uma língua da família Karajá, tronco Macro-Jê, e, também eles (ou elas, porque se trata de uma arte eminente e exclusivamente das mulheres, especialmente aquelas mais idosas), reconhecidamente grandes ceramistas. Originalmente produtores das ritxoko (na fala feminina), as famosas “bonecas” Karajá (Camargo da Silva, 2015), mais recentemente (a partir dos anos de 1940-1950), ao que parece, este povo passou a diversificar enormemente sua produção cerâmica figurativa (os homens Karajá também entalham madeira), incluindo réplicas de animais (que são chamadas de iródusõmo, iwedu somon, iradu somon ou iroduxumo – a grafia varia bastante – “bichinhos”, peças zoomorfas que eram raras ou inexistentes no passado, conforme Castro Faria, 1959, p. 12), porque, sobretudo, aquelas têm “pouca saída comercial” (Araújo, 2021, p. 270). E, entre estas representações plásticas de figuras zoomorfas (Rondon, 2015), os cachorros. Temos, na referida coleção, três peças em que figuram humanos acompanhados de cachorros (as figuras compostas de humanos e animais são ritxoko, conforme Cândido, 2023, p. 178), e uma peça que traz um cão (uma iroduxumo), a crer na descrição que acompanha os artefatos.
Figuras 10, 11, 12 e 13: objetos cerâmicos Iny-Karajá figurando cães (solitários ou em composições), produzidos e coletados entre 1950 e 1977. Acervo do Museu dos Povos Indígenas, respectivamente itens 77.3.128 (detalhe), 8714, 3191 e 8641 (coleção reunida por Alicia Muñoz com base na base de dados do Museu dos Povos Indígenas/FUNAI)
Segundo Fénelon Costa (1978, p. 55), “nas composições que retratam a vida familiar é comum figurarem cães, aliás muito numerosos nas aldeias e casas dos Karajá”. As peças modeladas em argila são confeccionadas pelas mulheres Karajá trazendo cenas do cotidiano e momentos importantes e significativos do modo de ser Iny, às vezes servindo a atividades lúdicas (Whan, 2022). De acordo, ainda, com Fénelon Costa (1978), trata-se de brinquedos infantis ou de dramatizações de cenas da vida nas aldeias, além de constituírem-se, hoje, em importante fonte de renda para os Karajá. As esculturas que apresentam cachorros constantes da coleção do Museu foram confeccionadas entre os anos de 1950 e 1970, e pode-se notar que todas elas apresentam animais com o que parece ser uma pintura corporal (em preto de jenipapo e vermelho de urucum ou, nas peças mais recentes, por tinta de barro e pigmentos artificiais).
Por fim, dispomos uma peça que introduz uma controvérsia importante nessa breve discussão. Trata-se de uma pequena escultura em cerâmica policrômica de um (suposto) cachorro coletada entre os Pankararu no Brejo dos Padres, no estado de Pernambuco – povo onde igualmente as mulheres são hábeis ceramistas (Araujo, 2018) –, peça que pertence à Coleção Etnográfica Carlos Estevão de Oliveira do Museu do Estado de Pernambuco (MEPE). A peça está identificada apenas como “figura zoomorfa”, e talvez possa se tratar de um cão – mas que, afinal, e isso não é informação desprezível, alternativamente nos apresente uma onça ou jaguar (Panthera onca), devido aos padrões circulares em vermelho (do toá ou tauá, uma rocha vermelha composta de argila e óxido de ferro) e branco (do giz branco ou tabatinga) que evocam as rosetas felinas, embora possa ser apenas flores decorativas (ver Silva, 2022, p. 108-110). Voltarei a este ponto.
Figura 14: figura zoomorfa – sem identificação (talvez um cão) em cerâmica (argila), Pankararu/PE. Acervo da Coleção Carlos Estevão de Oliveira/Museu do Estado de Pernambuco, identificador 99 (disponível em https://sl1nk.com/tta7syz, acesso em 04/02/2026).
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Não se deve subestimar as dificuldades no tratamento taxonômico, por assim dizer, dessas peças, o que pode ter consequências diretas na própria quantificação dos materiais existentes em museus e coleções. Estaremos, afinal, “realmente” diante de representações, materializações ou figurações de cães domésticos, Canis lúpus familiaris? Ou podem ser miniaturas esculpidas de canídeos nativos, das quais várias espécies ocorrem em território brasileiro ou nas terras baixas da América do Sul (Apesteguía & Alvarez, 2023)? Ademais, se, como defende a etnografia, com frequência cachorros domésticos são, ou podem ser, onças (ver Lévi-Strauss, 2004, p. 83, e Descola, 1994, p. 84-86, 230, para ficarmos apenas nos clássicos), não poderíamos estar visualizando, em verdade, miniaturas de jaguares?
Para exemplificar esta última dificuldade – mas, também, de modo a sugerir para esta questão uma saída – vejamos uma das poucas (senão a única) representações pictóricas de cães que conheço nas artes ou artefatos indígenas das terras baixas sul-americanas, e que analisei suscintamente em outro lugar (Vander Velden, 2020). Trata-se de um remo de madeira pintada coletado entre os Tukano no alto rio Negro, na Colômbia, entre 1880 e 1885 e abrigado no acervo do Wereldmuseum em Rotterdam, nos Países Baixos.
Figura 15: Remo Tukano, Colombia, 1880, madeira e pintura; Coleção Wereldmuseum, Rotterdam, WM-3341 (copyright: National Museum of World Cultures, the Netherlands, disponível em https://hdl.handle.net/20.500.11840/1113319).
No texto que acompanhava a peça em exibição (em 2019, quando estive lá, lamentavelmente durante uma reforma do museu) podia-se ler:
Paddle
This paddle belonged to a shaman of the Tukano Indians. The pictures tell the story of his spirit’s journey to the land of the ancestors. The entrance to the ancestor world is a waterfall guarded by black dogs.
O website do Wereldmuseum[1] observa que este remo ilustra a “jornada trans-cósmica” de um xamã Tukano aos limites do mundo, onde existe uma cachoeira guardada por dois “cães de guarda” de pelagem negra. As letras ‘D’ e ‘V’ pintadas na pala logo abaixo dos animais significam ‘Dios’ (Deus) e ‘Vírgen’ (Virgem Maria), e são acompanhadas por motivos florais acima dos cães (que são associados ao transe xamânico) e a uma possível representação do sol. Muitos fenômenos geográficos na região do alto rio Negro – especialmente grandes rochas junto a cachoeiras e zonas montanhosas – são conhecidos por abrigar “gentes” ou “pessoas” (masã) de vários tipos, muitas delas associadas com animais como as onças (IPHAN, 2007, p. 56). Geraldo Andrello, amigo e especialista na etnologia da região, informou-me que alguns lugares especiais naquela área são casas da “gente-peixe” (wai-masã), os ancestrais dos humanos que são donos destes locais, notadamente quedas d’água, corredeiras, serras, pedras massivas e afloramentos rochosas. Quando esses sítios se localizam relativamente apartados dos rios, eles são protegidos por onças, que são ditas serem “como cachorros” ou, mais precisamente, “o que para nós são onças, para os donos desses lugares são seus cachorros”. Esses cães de guarda dos donos – que da perspectiva humana são (vistos como) onças circulam em torno dos lugares-casas protegendo-os e afugentando potenciais ameaças. A relação entre cachorros domésticos (como ajudantes, guardas, servos ou subordinados) e humanos espelha a relação entre os poderosos seres outros-que-humanos e seus subordinados, que veem estes como cães ao passo que nós, humanos, os enxergamos como onças (Legast, 1998).
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Voltando à minha pergunta inicial: onde estão os cachorros na figuração escultórica (ou pictórica) indígena? Pode ser, conforme argumentado acima, que estejamos diante de uma dobradiça perspectivista articulada nesses objetos mesmo, nos quais a imagem do cão é, também, imagem do grande predador neotropical, a onça, e vice-versa. Minha hipótese, com isso, é a de que a relativa raridade dos cachorros modelados ou pintados pelos povos indígenas nas terras baixas sul-americanas – que tanto apreciam esses animais, especialmente como companheiros de caça e guardiães de residências, e que sempre são encontrados em significativo número nas aldeias (Büll, 2018) – pode estar oculta, por assim dizer, sob a roupagem das onças. Onde vemos uma onça, podemos estar diante de um cão, cabendo bascular a perspectiva para percebê-lo: onça para nós, humanos, cães para os donos-mestres sobrenaturais, cães para os não indígenas, jaguares para os indígenas. De todo modo, e evocando o argumento de Carlos Fausto (2023, p. 303), não são (de) cães (ou onças), mas estão cães (ou onças). Esta hipótese permite, espero, reavaliar as próprias identificações das peças constantes em acervos e coleções, sugerindo, talvez, que classificações estáticas mascaram possibilidades dadas pela inerente instabilidade das imagens visuais promovida pela operação incessante das mudanças de perspectiva. O que aparece como um cão pode estar camuflando um jaguar, e todo cuidado é pouco, como se sabe, no tratamento com esses seres.
Publicado em 06 de maio de 2026.
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Notas
[1] https://hdl.handle.net/20.500.11840/1113319 (13.10.2020).
* Felipe Vander Velden é docente do Departamento de Ciências Sociais (DCSo) e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). É coordenador do Humanimalia - Antropologia das Relações Humano-Animais.
Como citar: Vander Velden, Felipe. 2026. O cachorro doméstico (Canis lupus familiaris) na imagética indígena. Blog da Capivara, disponível em: https://humanimaliaufscar.net/blog-da-capivara/o-cachorro-domestico.